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Álbum Beirut

The Rip Tide

Os Beirut regressam com uma nova perspectiva da sua sonoridade, mais centrada no lado de lá do Atlântico do que no Mare Nostrum. Contudo, Zach Condon sabe como nos matar as saudades dos seus tempos de alegre saltimbanco.

Data de Edição
2011
Editora
Pompeii
Géneros
Folk, Indie Pop, Pop
Por André Forte 19 de Agosto, 2011

Os Beirut, genuinamente sentidos como eram, desertaram da world music para abraçar o mundo inteiro. O resultado? Um álbum pop visto pelos olhos de Zach Condon, onde os balcãs são refugiados de um embate entre o folk norte-americano, ora de ukelele a liderar, ora com a guitarra de seis cordas a marcar o passo, com algumas refrescantes, mas curtas, incursões electrónicas, e o passado sonante e domingueiro da filarmónica de trazer por casa de The Flying Club Cup e Gulag Orkestar. Este seria, de resto, o caminho mais óbvio que a banda poderia tomar em direção às multidões das praias californianas, em detrimento das belas cidades costeiras do mediterrâneo. Santa Fe que o diga.

Não que a génese mais profunda dos fascinantes Beirut de há quatro anos seja vítima desta causalidade que é The Rip Tide. Tanto os metais, sempre belos, como a tão fracófona concertina continuam a fazer parte da fórmula do compositor mexicano, o primeiro mais que a segunda (a única perda total é mesmo a percussão, muito mais enfadonha neste disco). Mas são suplantados pela necessidade que Condon teve de abraçar as solicitações astronómicas que se sugeriram ao seu projecto depois da afirmação repentina que o lançamento do segundo álbum (e a consequente pausa) lhe trouxe. Se na altura não houve estofo para responder aos novos desafios, esta versão melodicamente anglo-saxonica, de arranjos americanizados e, resumidamente, ocidentalizada dos Beirut mostra um lado oposto ao de então; e mostra, também, que Zach e companhia continuam bem, apesar das óbvias mudanças, e a jogar num nível a que os recém-adquiridos colegas de género não conseguem chegar.

Mesmo que as primeiras faixas não mostrem um caso convincente para os lados de Beirut, a voz de Condon continua limpa e sonante, os metais continuam a fazer a diferença nas canções e as melodias, mais preguiçosas, sim, mantêm-se contagiantes, essencialmente de Payne's Bay em diante, no alinhamento do álbum.

Até que ponto esta mudança de uns Beirut de domingo chuvoso para uns mais ocidentais, de fim de dia veraneante e bem-dispostos é, realmente, eficaz, só o tempo o dirá. Mas Zach Condon e a sua banda precisavam, verdadeiramente, de uma sede nova. Porque não uma tão cosmopolita quanto The Rip Tide, onde as belas melodias de Vagabound ainda nos remetem para o glorioso passado nómada de Beirut? Nem sempre se valorizam as tradições batendo na sua tecla gasta. Estes rapazes são o exemplo.