Eternal Turn of the Wheel
Uma das bandas mais misteriosas e controversas do black metal europeu volta aos bons lançamentos com Eternal Turn of the Wheel. Foi-se a influência post-rockeira dos últimos tempos, regressou a coesão e consistência que marca a carreira dos Drudkh.
- Data de Edição
- 2012
- Editora
- Season of Mist
- Géneros
- Black Metal, Metal, Post-Metal

Goste-se ao não do estilo dos Drudkh, do secretismo e dos rumores que rodeiam a banda, é difícil negar que discos como Autumn Aurora ou Blood in Our Wells são clássicos do black metal moderno. Eternal Turn of the Wheel, apesar de não estar num nível tão alto, é o melhor lançamento da banda desde Estrangement, de 2007, e uma proposta muito mais segura que os dois discos seguintes da banda, Microcosmos e Handful of Stars, que sofreram com os flirts ocasionais com post-rock genérico.
A febre post-rockeira que influenciou muito do black metal dos últimos anos desvaneceu um pouco, e o quarteto ucraniano regressou a terrenos mais familiares : o black metal predominantemente mid-tempo, com inspiração algures entre o doom e o folk. E é onde se sentem bem. O disco começa, como todos os discos de Drudkh começam, com uma curta introdução, Eternal Circle,que deixa bem claro a temática central do disco : a passagem do tempo, a mudança das estações, o ciclo, em repeat. As duas faixas que se seguem, Breath of Cold Black Soil (March) e When Gods Leave Their Emerald Halls (August), são as mais longas (ambas rondam os dez minutos) e começam uptempo, para desacelerar com o passar dos minutos, até àquele híbrido doom/black/folk tão característico dos ucranianos. A atenção mais focada no ambiente criado pela mistura das guitarras e teclas, em vez de riffs e estruturas mais fechadas, dá um sentido mais amplo a estas faixas, que parecem respirar livremente, mesmo quando o destino final de determinado crescendo ou desaceleração é previsível. É nisso que os Drudkh são mestres : criaram um som muito familiar, algures entre os Agalloch e os Ulver de outros tempos, e não tiveram receio de regressar a ele, depois de duas experiências menos conseguidas. A única «novidade» é talvez uma ligeira aproximação ao DS black metal de uns Austere ou Woods of Desolation, especialmente na produção, muito limpa e pouco equilibrada nos graves.
A falta de informação sobre a banda - não dão concertos, não têm presença online oficial, não dão entrevistas e não há fotos dos membros, sequer - só contribui para o seu sucesso . O mistério, tão levado à risca, toma conta da música e torna cada melodia numa incógnita. Numa altura em que os sound bites dominam a indústria, até nos géneros mais extremos, não deixa de ser saudável ver uma banda sobreviver tantos anos e lançar tantos discos desta maneira. Claro que o silêncio também cria rumores, como os de uma suposta afiliação política negada pelos membros da banda, mas isso é uma outra conversa...


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