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Álbum Julian Lynch

Terra

No rescaldo do sucesso de Mare, Julian Lynch regressa, em 2011, mais seguro de si próprio e com vontade de arriscar.

Data de Edição
2011
Editora
Underwater Peoples
Géneros
Dream Pop, Lo-Fi
Por Ana Beatriz Rodrigues 28 de Agosto, 2011

Quem disse que o lo-fi não podia ser ecléctico, mentiu. E a prova disso mesmo é Terra, o terceiro disco do norte-americano Julian Lynch, e um verdadeiro melting-pot de emoções, musicalidades e ressonâncias.

O clarinete requintado a abrir, na faixa homónima, denuncia que estamos perante um registo elegante, confiante do que tem a dar – e esta seria sempre uma tarefa hercúlea, depois do longa-duração de 2010, Mare. Ainda que não supere a brisa fresca do trabalho anterior, Terra mostra um autor mais maduro, que não tem receio em fazer um trabalho introspectivo e desesperado, sem nunca o chegar a ser bem.

Na verdade, o doutoramento em Etnomusicologia de Lynch pode ser uma das razões apontadas para a caldeirada musical que Terra carrega. A pinta nómada de Matt Elliott, nas guitarras, somada aos pianos à la Sigur Ròs (Fort Collings, essa canção de arrepiar espinhas) e à esquizofrenia pop de uns Animal Collective, nos sintetizadores visionários de Canopy, marca um saldo positivo na equação down-to-earth, salvo o pleonasmo, de Terra. Só lhe fica bem, de resto, esta escapatória musical, realista e coesa.

Enquanto cantor (e criador), Julian atinge um estilo muito próprio, ora com falsettos, ora com doçura – e o resultado são canções mais líricas, mais sólidas e mais preocupadas. Isto porque Terra foi também alvo de uma produção mais cuidada do que o registo anterior, ganhando nos já mencionados clarinetes, no baixo subtil e simples, bem como na percussão proeminente, mais tribal.

Todavia, é na manipulação do som, variada de tema para tema, que a taça é entregue a Lynch: cada átomo, mesmo que de pólos diferentes – do cool jazz, à folk, passando pelo down-tempo, até reais momentos de jams – encaixa no outro, com uma coêrencia sublime e eficaz, que entra cá dentro. É mesmo caso para dizer ‘aguenta, coração’.

Embora não seja o álbum revolucionário na carreira deste singer-songwriter, Terra é, sem dúvida, a confirmação de um talento. Aliás, ainda faltam três elementos da natureza para o fim do mundo e para a consagração do artista: e esse será, certamente, o fogo de Julian Lynch.