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Álbum Julianna Barwick

The Magic Place

Um disco feito de momentos angelicais e etéreos: The Magic Place prova que há músicos que não parecem ser deste mundo.

Data de Edição
2011
Editora
Asthmatic Kitty
Géneros
Dream Pop
Por Ana Beatriz Rodrigues 28 de Agosto, 2011

No mundo encantado, existem reis, princesas, dragões, corpos brilhantes e celestiais, duendes, cogumelos faladores e uma magia intrínseca. No segundo longa-duração de Julianna Barwick, todos estes elementos são, também, convidados.

É que The Magic Place carrega tanto de fantástico, quanto de perturbador. Um álbum que arranca com quase seis minutos de experimentação drone, entre sintetizadores e exploração ambiental, tem muito que se lhe diga - em especial, quando gosta de abusar nos teclados arrepiantes (Bob In Your Gait) e nas vozes cristalinas, em loop permanente.

Criando atmosferas delicadas, The Magic Place é um murro em estômago vazio, para quem o aprecia. Os arranjos abençoados, como se derivassem de uma igreja, desconectam-nos da realidade, enquanto ouvimos uma espécie de anjo minimal: a cândida voz de Julianna Barwick, agora adquirindo um papel mais secundário – e ainda assim, muito principal -, é uma sentida homenagem ao imaginário das paisagens new-wage que os Cocteau Twins criaram, outrora.

Numa celebração de camadas e na clivagem entre a tecnologia urbana moderna e bucolismo florestal, os hinos íntimos de Barwick apoiam-se no piano e nas finas linhas de baixo para trazerem um cristal com reverb, fracturado em nove temas de fé, destino e sonho.

Feito de raízes étereas e sonhadoras, The Magic Place é, em si, uma poesia pastoral, com a qual facilmente nos identificamos e que mexe com uma variedade absurda de sentimentos. Todos os chakras deveriam ser alinhados assim.