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Álbum We Trust

These New Countries

Sóbrio, elegante e pensado: These New Countries é um ensaio de pop refinada e de música com pés e cabeça.

Data de Edição
2011
Editora
Meifumado
Géneros
Indie, Pop
Por Ana Beatriz Rodrigues 28 de Novembro, 2011

Depois do mega-êxito Time (Better Not Stop), podia temer-se que os WE TRUST, guiados pelo timoneiro André Tentugal, se quedassem pelo one-hit-wonder. Felizmente, These New Countries, este aguardado longa-duração, é uma verdadeira cura para limbos emocionais, achocolatado por pormenores pensados e maduros.

O primeiro deles é, irreversivelmente, a ideia de repetição temporal das rotinas e dos hábitos que Time espelha naquela guitarra viciante e na própria letra. De facto, essa ponderação estende-se a todo o disco e é particularmente visível na inspiração que vai buscar a Beck, na sua faceta de produtor, em Gone – a achega íntima da acústica de dedilhados calorosos, que, este ano, abrilhantou o disco de Thurston Moore, Demolished Thoughts.

Ao rodear-se de instrumentalistas reconhecidos no nosso panorama, o sempre realizador e agora músico tem, em These New Countries, a mais-valia poderosa que é uma espécie de mini-orquestra apurada: o feel-good de Again e Tell Me Something, em que a bateria ressalta, a contrastar com o foque melancólico nas cordas constantes, na guitarra apurada de Gone, no órgão dançável de Freedom Bound e no piano ocasional.

Na segunda parte do registo, ergue-se o maior sentimento de todos. É que a sequência iniciada por Reasons será, provavelmente, o melhor momento da pop contemporânea nacional, nestes últimos tempos. Cantada a duas vozes, pessoal até ecoar cá dentro, Reasons leva-nos até ao amor clássico de outrora, ao passo que Gone, polvilhada pelo xilofone meloso, é uma espécie de cantiga do desamor outonal, mais folk.

Quando falámos, há alguns meses, com Tentugal, este afirmou que gostaria fazer um disco voltado para o mundo. O resultado foi mais longe - These New Countries não espelha só o globo, como é, em si, o globo. Cada tema tem vida própria e é sempre refrescante ouvir um álbum que não leva a terminologia pop à sua real acepção: popular, simplista e de memória curta. Eu sei que me vou lembrar deste disco.