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Entrevista Throes + The Shine

“Podem esperar por algumas surpresas no Milhões de Festa 2012.”

Os Throes & The Shine fazem um balanço do primeiro ano de existência e antecipam o concerto do Milhões.

Por António M. Silva 16 de Julho, 2012

Está quase a fazer um ano desde que vimos os Throes & The Shine a arrasar o palco Vice na edição de 2011 do Milhões de Festa. Fundir rock e kuduro era uma premissa vencedora no papel, mas que precisava de passar no derradeiro teste: o de tocar para um público. O resultado não podia ter sido melhor: quem esteve lá não se esqueceu mais, quem leu as palavras que o PA’ escreveu desejou ter estado. Um ano depois, Marco, Igor, André e Diron andam a mostrar Rockuduro, o disco de estreia do quarteto, a todo o país ao mesmo tempo que se preparam para voltar onde tudo começou: o Milhões de Festa. Em jeito de antecipação e balanço, o PA’ foi falar com Marco Castro, o responsável pela guitarra mais dançável do verão:

Comecemos pelo início: como é que os Throes e os The Shine se juntaram?

A ideia surgiu em Novembro de 2010, no  primeiro Festiva Náice. O André e o Diron viram o concerto de Throes , acharam que conseguiam encaixar umas linhas vocais por cima de algumas músicas e decidiram falar comigo e com o Igor. Durante uns meses as coisas ficaram só por aqui, mas em Abril de 2011 começamos a ensaiar e a levar as coisas com calma. O que despoletou um maior interesse em levarmos as coisas a outro nível foi o nosso primeiro concerto no Milhões de Festa. Foi a partir daí que decidimos encarar isto como um projeto em vez de uma mera colaboração, com os olhos colocados no futuro.

O ano passado no Milhões já tocaram algumas das malhas que integram o vosso primeiro disco, mas só agora é que ele viu a luz do dia. O que é que vos atrasou? Começaram a compor mais do que esperavam?

A verdade é que só a “Mais Raras” se manteve relativamente fiel à versão que tocámos no Milhões. Nós fizemos as músicas todas numa semana, para tocar lá. O convite chegou tarde e tivemos de fazer tudo com muita rapidez. A decisão de demorar mais algum tempo até lançar o álbum foi deliberada, porque não queríamos ir na onda da “tesão de mijo” e gravar músicas que ainda não apresentavam a maturidade necessária. Com a pré-produção do disco acabámos por sentir a necessidade de inserir mais um elemento nos concertos e no estúdio, que oscilou entre o João Brandão e o Cláudio Tavares (ambos produziram o nosso disco nos Estúdios Sá da Bandeira). Os baixos ficaram todos a cargo deles nas gravações e acompanham-nos de forma rotativa ao vivo, neste momento. Tornaram-se elementos preponderantes no projeto, acabando por refletir o espírito colaborativo que o mesmo tem.

O rockuduro tem potencial para agradar aos fãs dos dois géneros, rock e kuduro, e acho que têm muito potencial por isso mesmo. Concordam com esta ideia de transversalidade?

Sim, é uma transversalidade que é visível na facilidade que temos em oscilar entre salas com dimensões completamente diferentes, entre públicos totalmente distintos e ambientes completamente antagónicos. É uma arma muito boa, porque permite olhar para a maioria das propostas que recebemos com uma curiosidade diferente. Nunca achamos que pode correr mal por não estarmos no nosso elemento. É uma sensação óptima.

Calculo que tenham backgrounds musicais diferentes. Isso foi útil?

Temos, muito diferentes mesmo. E tem a sua utilidade, claro. É óptimo ter um feedback de elementos que tem os ouvidos treinados para coisas que nunca ouviria na minha vida, por exemplo. Esse equilíbrio também é muito importante, porque cria um meio caminho entre filosofias muito diferentes das que temos e que, provavelmente, se reflete muito no resultado final do que fazemos.

Como é que o processo de composição se desenrola entre os quatro? Aconteceu, por exemplo, fundir músicas já existentes de ambas as bandas?

A nível instrumental não, todo o material surgiu unicamente para este projeto. A nível lírico ouve alguma mistura entre elementos que os The Shine já usavam. No que toca a composição é um processo que vai variando, mas a maioria das músicas começa com a criação das linhas melódicas, do ritmo e do esqueleto (algo que é feito por mim e pelo Igor) e só depois é que o André e o Diron se inserem à volta disso, criando vocalizações e letras que acabam por determinar a estrutura dos temas . Na composição do Rockuduro também houve imensa ajuda por parte dos nossos produtores, que nos levaram a repensar bastantes coisas. Se não fosse isso o álbum teria ficado com uma vertente electrónica muito mais vincada, por exemplo.

Os Throes e os The Shine continuam a existir como entidades independentes ou são neste momento uma única banda?

Os Throes estão parados, e não sabemos quando voltamos. Temos outros projetos em mente e de momento voltar aos palcos e às edições não é um deles. Os The Shine continuam