Holanda: chuva e barulheira #2 – Tilburg, terra sagrada do doom.
A caminho da edição em que se estreiam bandas portuguesas no Roadburn, demos uma olhadela à festa de venda de bilhetes daquele que é para muitos o festival mais importante do ano.

Um pouco por todo o lado, Setembro marca o regresso à rotina. Para o que nos diz respeito neste espaço, terminam os festivais de verão e regressam os concertos normais. Porque a localização central na Europa ajuda e há público para isso, tivemos um mês bastante forte por terras holandesas - os Wovenhand passaram cá a promover o recente The Laughing Stalk e os Karma to Burn aliaram-se aos Honky e Peter Pan Speedrock para uma intensiva tour pelo país. Mais virados para o passado, os Nasum fizeram-se acompanhar dos Oathbreaker e Black Breath para uma noite devastadora em Utrecht, mesmo com o público Holandês a manter a sua usual postura estática durante grande parte do tempo. Também fora do ciclo de promoção a álbuns novos estão os The Gathering, que têm andado de cidade em cidade com a formação que gravou o clássico Always....
No entanto, foi com bandas de menos renome e já no mês de Outubro, na pequena cidade de Tilburg, que decorreu o evento que terá tido uma mística superior para aqueles que a ele assistiram, tudo isto por causa de um festival que só vai acontecer em Abril – o Roadburn. A proporção do impacto daqueles quatro dias é tanta que se torna num evento que “dura” o ano todo. Quem lá vai não se cala durante meses com conjecturas de nomes futuros ou simples reminiscências de edições anteriores e algures no final do Verão é confirmada a primeira batelada de nomes, provocando reacções de histeria em homens adultos que há primeira vista parecem totalmente disproporcionadas. O facto é que o deixa de o ser após uma primeira ida ao evento e, se juntarmos o preço dos bilhetes e a velocidade a que esgotam, percebemos a importância dada pelas pessoas à compra dos mesmos.
Este ano, Walter e companhia decidiram alterar o processo de venda. A parte negativa foi que em vez de acontecer no final de Novembro, a venda realizou-se no príncipio de Outubro, apanhando desprevenidos aqueles que só tinham contado ter fundos disponíveis quase dois meses depois. Pela positiva, o preço desceu e as primeiras 150 pessoas a enviarem um e-mail à organização sobre o assunto tiveram direito a um concerto gratuito e bilhete reservado. Não que para tal houvesse necessidade, já que o festival esgota num ápice independentemente destas promoções - trata-se simplesmente de algo organizado com um gosto pouco usual por aquilo que se faz.
Assim, no passado dia 4 de Outubro, os Bunkur e os Switchblade trataram os presentes na mítica Bat Cave com uma bela demonstração de doom na sua vertenge mais agreste. Os primeiros têm a sua abordagem repleta de drone, atingindo níveis de arrastanço e puro volume absolutamente assutadores e, se nem sempre a música do quarteto de Tilburg funciona bem ao vivo, quando acertam – e foi o caso – aquele caldeirão de tudo o que é feio atinge-nos com uma força inegável. Quanto aos suecos, deram o concerto que se justificava: com um início muito coeso que serviu para retirar o público do transe em que os Bunkur os deixaram, teve a sua explosão quando David Johansson, vocalista e guitarrista dos Kongh, emprestou a voz aos compatriotas, elevando os níveis de intensidade para picos mais próprios do festival que aí vem.
O sorriso estampado nos rostos dos presentes conforme iam chegando ao recinto ilustrava tudo o que se pode dizer sobre aquela noite – não se tratando do festival em si, a magia do Roadburn estava lá e isso reflectiu-se nos concertos. Para dizer a verdade, na maioria dos eventos da 013 durante o resto do ano há qualquer coisa que parece faltar, como se fosse estranho estar ali fora da atmosfera do festival. No entanto, assim que chega Abril, tudo isso se esvai e Tilburg torna-se uma vez mais num local de peregrinaçã



