Saltar para Conteúdo Saltar para Navegação
Reportagem

Noites Ritual: dia 1

Ontem, Dead Combo e Wraygunn levaram à dança milhares de festivaleiros, nos jardins do Palácio de Cristal. Hoje há mais, com PAUS e A Naifa.

Por Ana Beatriz Rodrigues 1 de Setembro, 2012

20 anos depois e o ritual volta a cumprir-se. Passado o chavão, aquele que é, por excelência, o certame que encerra a época festivaleira comemorou o seu vigésimo aniversário com uma menor oferta musical – comparada àquela a que nos veio a habituar -, mas com mais actividades paralelas de outros espectros culturais.

As filas para entrar no recinto não enganavam: as Noites Ritual são já, e pleonasticamente, um rito para a cidade do Porto, com um público algo díspar daquele que costumamos encontrar normalmente nos concertos da invicta: adolescentes, casais de meia-idade e até crianças a circularem pelo recinto.

À hora marcada, os Dead Combo subiram ao palco. Três anos depois da sua última visita ao estrado do Palácio de Cristal, muito se passou na carreira de Tó Trips e Pedro Gonçalves. Com Lisboa Mulata, os eternos Putos A Roubar Maçãs abraçaram as sonoridades mais tribais, quase africanas e convidaram a um pézinho de dança. O último disco esteve presente, só que o destaque maior da actuação da dupla centrou-se em Lusitânia Playboys, o terceiro longa-duração da banda, que se fez acompanhar, sensivelmente a partir da terceira canção, pela Royal Orquestra das Caveiras.

Há muito de África na música dos Dead Combo: os ritmos, a frescura, a experimentação e o calor caem a matar com uma verdadeira noite de Verão. Nesta nova vida da banda, há também mais blues, refrões gingões e espaço para reflexão, com maior abertura para o papel principal do contrabaixo. Ainda assim, nesta viragem, sentimos a falta dos pormenores de guitarra a que Trips e Gonçalves sempre nos habituaram.

Paulo Furtado, em qualquer dos seus projectos, é um homem tigre, com a pujança e a alma de líder como conduz uma actuação. Os Wraygunn são, tal como os Dead Combo, um projecto que cresceu – mesmo que L’Art Brut não reflicta a pujança de Shangri-La, ou a novidade de Eclesiastes 1.11.

Durante quase duas horas de actuação, e secundado pelas raparigas maravilha que são Raquel e Marta, os conimbricenses ofereceram uma entrega ímpar, dedicada, como só os veteranos conseguem fazer. Não faltou She’s A Go-Go Dancer, nem Do You Wanna Dance?, nem um sentimento de verdadeiro rock’n’roll a latejar nas veias. Houve crowdsurf protagonizado pelas duas back-up singers (juntamente com a convidada especial, Marta Ren) e um público sedento por mais.

Hoje, há mais, nos jardins do Palácio de Cristal: A Naifa e PAUS encerram a segunda e derradeira noite das Noites Ritual.